Ishiuchi Miyako

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     Ishiuchi Miyako (1947) nasceu em Gunma, no Japão, e é uma das fotógrafas mais respeitadas de sua geração no país. Começou a fotografar em meados da década de 1970 na cidade em que cresceu, Yokosuka, local onde os Estados Unidos tinham estabelecida uma base naval desde 1945. Seu primeiro livro, “Yokosuka Story”, chocou o cenário da fotografia, dominado por homens, por apresentar um relato pessoal e corajoso sobre a cidade. Seu trabalho, desde então, intercala sua própria identidade com a história do Japão pós-guerra e as sombras deixadas pela ocupação americana.

      Assim como uma geração de fotógrafos japoneses da década de 1960 e 1970, Ishiuchi fotografou por muito tempo em preto e branco com uma estética que favorecia o movimento nas imagens, borradas e granuladas. Essa tendência era uma rejeição às convenções fotográficas dominantes, onde prevalecia o discurso ocidental. Em oposição ao “american dream”, os fotógrafos japoneses se expressavam em imagens que representavam quase um fluxo de consciência, com interrupções deliberadas em sua narrativa, muitas fotografias noturnas e sombrias que ecoavam a ideia do pesadelo japonês sob a influência norte-americana.

         Em 1979, Ishiuchi participou da exposição “Japan: A Self-Portrait” no International Center of Photography, em Nova York, sendo a única mulher entre 18 homens. Sua posição como mulher numa sociedade com tradições tão conservadoras a fez margear esse tema ao longo de sua carreira artística. Em suas séries estão presentes as mães solteiras, os bordéis repletos de memórias violentas, e as cicatrizes do tempo. Quando completou 40 anos, fotografou os corpos em close-up de outras mulheres da mesma idade. No projeto 1·9·4·7”, fotografou mãos e pés calejados, rugas e imperfeições. Essas cicatrizes – sinais de fragilidade do corpo – foram paradoxalmente transformadas em marcas de resistência e força.

         Pouco antes de sua mãe morrer, em 2000, Ishiuchi começou a fotografar seu corpo e seus objetos pessoais. Parte das fotografias integra a série “Scars and Body and Air”. No trabalho, a fotógrafa reverencia sua mãe, mulher que seguiu o caminho convencional para uma japonesa de sua geração, sendo uma boa esposa e uma mãe sábia. No entanto, Ishiuchi há muito tempo a homenageava, pois assumiu o nome de solteira da mãe como identidade profissional, reinventando sua vida como uma mulher autônoma e desprendida das amarras da tradição.

         Nos seus trabalhos mais recentes, Ishiuchi utiliza a cor na fotografia e a vestimenta como ferramenta de memória. No primeiro, selecionou e fotografou roupas do “Hiroshima Peace Memorial Museum” que foram usadas por mulheres do dia os EUA lançaram a bomba atômica sobre a cidade, em 1945. Na série “Frida”, cataloga dezenas de roupas e objetos que pertenceram à pintora mexicana Frida Kahlo.

         Em 2014, foi contemplada com o prêmio da Fundação Hasselblad, uma das mais importantes distinções da fotografia mundial.

 

"Yokosuka Story"

“Yokosuka Story”

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“Yokosuka Story”

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“Yokosuka Story”

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“Scars”

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“Frida”

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*REFERÊNCIAS

Wikipedia

NY Times

Hasselblad Foundation

Michael Hoppen Gallery

Aperture

 

*VÍDEOS

Hasselblad Award 2014

1968 and Beyond

TateShots

 

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