MAUREEN BISILLIAT

Foto: Juan Esteves

Foto: Juan Esteves

Maureen Bisilliat é fotojornalista. Nasceu em 1931 na Inglaterra, mas se naturalizou brasileira. Maureen tem uma produção fotográfica diversificada. Destacou-se por seu trabalho para a Editora Abril, entre 1964 e 1972, nas revistas Quatro Rodas e Realidade, e também pela publicações de seus livros.

Estudante de artes plásticas em Paris e Nova York, Maureen estudou pintura com André Lhote e Morris Kantor. A influência de uma mãe pintora fez com que ela se interessasse pela área e seguisse até 1962 quando começou a fotografar.

Maureen começou a fotografar em um momento em que o Brasil era pouco explorado. Nesta época, um movimento começou a questionar sobre o fato da população brasileira não conhecer suas próprias manifestações culturais. Revistas como a Realidade começaram a desenvolver ensaios fotográficos que traziam outra visão do Brasil. A própria autora fala que na época existia um espírito de pioneirismo.

“[…] Cada vez que a gente voltava de viagem, seja para a Abril ou seja para uma coisa pessoal, criava, assim, surpresas. Porque você trazia imagens de mundos não conhecidos.”

A Revista Realidade, publicação da Editora Abril que circulou do ano 1966 até 1976, contribuiu nessa busca pelo não explorado. A revista procurava desenvolver reportagens com um olhar mais aprofundado sobre temas desconhecidos. Maureen desenvolveu muitos ensaios célebres como  “A batucada dos bambas” e “Caranguejeiras”. Paralelamente ao seu trabalho de repórter, seguia com seus projetos autorais.

Uma das característica das publicações da fotógrafa é relacionar literatura e fotografia. Em um de seus livros mais conhecidos, A João Guimarães Rosa (1969), inspirado no livro de fotografias inspirado Grande Sertão: Veredas (1956), Maureen fotografou lugares indicados pelo escritor e desenvolveu uma publicação mesclando suas imagens com texto de Guimarães Rosa. As fotografias buscavam dialogar com as narrativas dos personagens do romance. A união da literatura e fotografia também fizeram de outros livros como Sertões, luz e trevas (1982), A Visita (1977), O cão sem plumas (1984), Chorinho Doce (1995) e Bahia Amada Amado (1996).

A fotógrafa também registrou Parque Indígena do Xingu. A pedido de Orlando Villas Bôas ela fotografou e publicou o primeiro livro sobre o assunto. Nesta mesma época, em 1980, começou a produzir vídeos e fez o documentário “Xingu/Terra”.

Maureen, apesar de ter nascido em outro país, buscou atingir um nível intimista com seus fotografados. Essa característica do trabalho, de acordo com a autora, se deve muito ao fato de ter feito muitas viagens ao longo de sua vida, pois o pai era diplomata. Essas idas e vindas fez com que a fotojornalista buscasse colocar em sua obra uma busca por pertencimento. “Talvez eu diga isso porque, tendo uma infância sem raiz, essa questão, esse pertencer me é muito importante […] e coincidiu que esta tentativa tenha sido nesse país.”

Menino-anjo, 1963 Foto: Maureen Bisilliat/Acervo Instituto Moreira Salles

Menino-anjo, 1963. Foto: Maureen Bisilliat/Acervo Instituto Moreira Salles

Caranguejeiras, 1968. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Caranguejeiras, 1968. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Menino perto de forno para queima de carvão de lenha. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Menino perto de forno para queima de carvão de lenha. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Jovens e velhas pescam na lama. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Jovens e velhas pescam na lama. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Figurante de auto popular no ciclo do reisado. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Figurante de auto popular no ciclo do reisado. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Vaqueiro descansa após vaquejada. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Vaqueiro descansa após vaquejada. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Bumba-meu-boi na Festa de São João. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Bumba-meu-boi na Festa de São João. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Pai e filho. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Pai e filho. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Mulher na cerimônia do Yamaricumã. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Mulher na cerimônia do Yamaricumã. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Aspectos da China. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

Aspectos da China. Foto: Maureen Bisilliat/ Acervo Instituto Moreira Salles

LIVROS PUBLICADOS

A João Guimarães Rosa. São Paulo: Gráficos Brunner, 1969.

A Visita, 1977

Xingu: Detalhes de uma Cultura. São Paulo: Editora Raízes, 1978

Xingu: Território Tribal. Londres: William Collins & Sons, 1979

Sertões, Luz e Trevas. São Paulo: co-edição Editora Raízes e Rhodia, 1982

O Cão sem Plumas. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1983 

Terras do Rio São Francisco, 1985

Chorinho Doce, 1995

Bahia Amada Amado. São Paulo: Empresa das Artes, 1996

REFERÊNCIAS

Carla Adelina Craveiro Silva e Marcelo Eduardo Leite

Maria Catarina Rabelo Bozio

Povos Indígenas

IMS

Wikipédia

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