TINA MODOTTI

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Martelo, foice e chapéu, 1927.

Tina Modotti nasceu em Údine, na Itália, em 1896, com o nome de Assunta Adelaide Luigia Modotti Mondini. Foi morar com o pai em São Francisco, nos EUA em 1913.

Na época, a cidade era o centro de intensas manifestações de trabalhadores, muitas vezes violentas, mas também era o local de encontro de intelectuais, poetas, escritores e artistas de diversos lugares dos EUA.
Atraída pelas artes performáticas na comunidade imigrante italiana em Bay Area, Modotti experimentou com encenações, mas para se sustentar ainda trabalhava como costureira. Ela estrelou várias peças, operas e filmes mudos no final dos anos 10 e começo dos anos 20, enquanto também trabalhava como modelo de artistas. Em 1918, ela começou uma relação com o artista Roubaix “Robo” de l’Abrie Richey. Modotti mudou-se com ele para Los Angeles buscando uma carreira na indústria do cinema, que culminou no filme de 1920, The Tiger’s Coat. O casal entrou em um círculo de amizades boêmio. Um desses camaradas era Ricardo Gomez Robelo. Outro era o fotógrafo Edward Weston, que tinha como assistente Margrethe Mather.
Alguns sugerem que Modotti foi iniciada na fotografia ainda criança na Itália, onde seu tio, Pietro Modotti, possuía um estúdio. Depois, também nos Estados Unidos, seu pai gerenciou um estúdio similar por um breve período. Mas foi através de seu relacionamento com Weston que Modotti desenvolveu-se como uma importante artista plástica, fotógrafa e documentarista. Por volta de 1921, Modotti já era a modelo favorita de Weston e, logo viria se tornar sua amante.

No mesmo ano Robo vai para o México para organizar uma exposição fotográfica que inclui trabalhos de Weston e Tina o acompanha. Lá ele contrai varíola e acaba falecendo no começo de 1922. Apenas algumas semanas depois Tina recebe a notícia de que seu pai falecera e retorna para a Califórnia.

Após o fim da Revolução e o início da chamada “Renascença Mexicana” Weston vai para a Cidade do México onde abre um estúdio e Tina o acompanha. Ela trabalha como modelo para Weston e em troca ele lhe ensina tudo sobre fotografia, tendo exercido influência decisiva sobre o trabalho de Modotti como fotógrafa. Em 1925 o affair dos dois termina e em 1926 Weston, que era casado, volta para a Califórnia. Tina Modotti porém resolve ficar no México e inicia seu envolvimento definitivo com os movimentos políticos da época.

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Mãos de trabalhador, 1926.

Lá, Modotti fundou uma comunidade cultural e política “avant-gardists”. Ela tornou-se a fotógrafa favorita para o crescente movimento mexicano de murais, documentando os trabalhos de José Clemente Orozco e Diego Rivera. Seu vocabulário visual amadureceu durante este período, com seus experimentos com arquitetura de interiores, flores e paisagens urbanas, e especialmente com suas muitas imagens líricas de camponeses e trabalhadores.

A partir de 1927, ano em que filiou-se ao partido comunista, uma muito mais politicamente ativa Modotti percebeu seu foco mudando e mais do seu trabalho tornando-se politicamente motivado. Por volta do mesmo período, suas fotografias começaram a ser apresentadas em publicações tais como Mexican Folkways, Forma e as mais radicais El Machete, Arbeiter-Illustrierte-Zeitung (AIZ) e New Masses.

Sua exibição retrospectiva na Biblioteca Nacional em dezembro de 1929 foi anunciada como “A Primeira Exibição Revolucionária do México”. Modotti e Weston rapidamente gravitaram em direção ao cenário boêmio da capital, e usaram suas conexões para criar um crescente negócio de retratos. Foi também durante esse período que Modotti se reunia com diversos políticos radicais comunistas, incluindo três líderes do partido comunista (Xavier Guerrero, Julio Antonio Mella e Vittorio Vidali).

Contradições econômicas e políticas no México e de fato em grande parte da América Latina intensificavam-se, assim como a repressão a dissidentes políticos. Em 10 de janeiro de 1929, o então companheiro de Modotti, Julio Antonio Mella foi assassinado, supostamente por agentes do governo cubano. Logo depois houve um atentado contra o presidente mexicano Pascual Ortiz Rubio. Modotti – que era alvo das polícias políticas italiana e mexicana – foi interrogada pelos dois atentados no meio de uma campanha jornalística organizada anticomunista e anti-imigrante, que a retratou como “a feroz e sanguinária Tina Modotti”. (Um católico fanático, Daniel Luis Flores, foi posteriormente acusado de atirar em Rubio. José Magriñat foi preso pelo assassinato de Mella.)

 

Em 1930 Modotti é expulsa do México por suas atividades revolucionárias e envolvimento com o partido comunista. Impedida de voltar para os EUA ela vê na União Soviética sua única opção e se muda Berlim onde passa a integrar a Ajuda Vermelha Internacional, uma espécie de Cruz Vermelha comunista, onde ela realiza missões de “resgates clandestinos”. Nessa época surgem as suspeitas de que ela trabalhava para o serviço secreto russo, porém, nada foi confirmado.

Quando a guerra civil espanhola eclodiu em 1936, Vidali (então conhecido como “Comandante Carlos”) e Modotti (usando o pseudônimo de “Maria”) deixou Moscou com destino a Espanha, onde morou e trabalhou até 1939. Ela então trabalhou com o afamado canadense Dr. Norman Bethune (que mais tarde inventaria a unidade de sangue móvel) durante a retirada desastrosa de Málaga em 1937. Em abril de 1939, seguindo o colapso do movimento republicano na Espanha, Modotti deixou o país com Vidali e retornou ao México usando um nome falso.

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Menino de chapéu, 19

Lá, três anos depois, em 1942, ela morre em um episódio cercado de mistérios: na versão oficial é alegado que Tina Modotti sofreu um ataque cardíaco em um táxi e não resistiu, mas há suspeitas de que ela tenha sido assassinada por seus antigos camaradas que não aceitavam seu desligamento.

Em seu funeral foi colocada uma bandeira com uma foice e um martelo sobre seu túmulo. O poeta Pablo Neruda compôs o epitáfio de Tina Modotti, parte do qual ainda pode ser lida de sua lápide, a qual também inclui um retrato de Modotti que Weston havia tirado muitos anos antes:

Tina Modotti, hermana, no duermes, no, no duermes:
tal vez tu corazón oye crecer la rosa
de ayer, la última rosa de ayer, la nueva rosa.
Descansa dulcemente, hermana.  

La nueva rosa es tuya, la nueva tierra es tuya:
te has puesto un nuevo traje de semilla profunda
y tu suave silencio se llena de raíces.
No dormirás en vano, hermana.  

Puro es tu dulce nombre, pura es tu frágil vida,
de abeja, sombra, fuego, nieve, silencio, espuma,
de acero, línea, polen, se construyó tu férrea,
tu delgada estructura.

El chacal de la alhaja de tu cuerpo dormido
aún asoma la pluma y el alma ensangrentadas
como si tú pudieras, hermana, levantarte,
sonriendo sobre el lodo.  

A mi patria te llevo para que no te toquen,
a mi patria de nieve para que tu pureza
no llegue al asesino, ni al chacal, ni al vendido:
allí estarás tranquila.

¿Oyes un paso, un paso lleno de pasos, algo
grande desde la estepa, desde el Don, desde el frío?
¿Oyes un paso de soldado firme en la nieve?
Hermana, son tus pasos.

Ya pasarán un día por tu pequeña tumba,
antes de que las rosas de ayer se desbaraten;
ya pasarán a ver los de un día, mañana,
donde está ardiendo tu silencio.  

Un mundo marcha al mundo donde tú ibas, hermana.
Avanzan cada día los cantos de tu boca
en la boca del pueblo glorioso que tú amabas.
Tu corazón valiente.  

En las viejas cocinas de tu patria, en las rutas
polvorientas, algo se dice y pasa,
algo vuelve a la llama de tu adorado pueblo,
algo despierta y canta.  

Son los tuyos, hermana: los que hoy dicen tu nombre,
los que de todas parte del agua, de la tierra,
con tu nombre otros nombres callamos y decimos.
Porque el fuego no muere.  

Pablo Neruda

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Mulher com bandeira, 1928.

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Tipo tehuantepec, 1929.

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Parada dos trabalhadores, 1926.

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Elisa, 1924.

REFERÊNCIAS:

http://www.moma.org/collection/artists/4039

http://www.modotti.com

http://www.faap.br/hotsites/tina_modotti/tina_modotti.htm

http://www.infoescola.com/biografias/tina-modotti/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tina_Modotti

http://www.nytimes.com/books/first/c/cacucci-modotti.html

 

LIVROS SOBRE TINA MODOTTI:

Tina Modotti; Fotógrafa e Revolucionária, José Olympio Editora.

Tina Modotti; A Life, St. Martin’s Press, New York, NY 1999.

Tina Modotti – A Fragile Life, Chronicle Books, 1993.

Tina Modotti; Photographs, Harry Abrams, Inc., Publishers NY, 1995.

Tina Modotti, Master of Photography, Aperture, NY 1999.

Tina Modotti,Phaidon Press, London 2006.

Tinísima, Ediciones Era, Mexico 1996.

Tina Modotti and the Mexican Renaissance, Jean Michel Place Editions, Paris 2000.

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