CLAUDIA ANDUJAR

Claudia Andujar com Yanomani. Foto: Claudia Andujar

Claudia Andujar com Yanomami. Foto: Claudia Andujar

Claudia Andujar (1931) é uma fotógrafa nascida na Suíça, criada na Hungria e radicada no Brasil. Conhecida por seu trabalho com o povo indígena Yanomami, ela encontrou na fotografia uma forma de expressão e mediação de mundos.

Filha de pai judeu e mãe católica, Claudia passou a infância na Hungria (antiga Transilvânia), porém a perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial levou seu pai à prisão e deportação e outros familiares dela foram aos campos de concentração. Fato marcante que, mais tarde, influenciaria diretamente em suas fotografias.

“Sem dúvida minha fotografia é marcada pelo meu passado. Um passado de guerra, um passado de minorias. Isso é algo que não só me preocupa, mas me perturba. É parte da minha vida. Me interesso muito pela questão da justiça e das minorias que estão tentando se afirmar no mundo, mas se deparam sempre com um dominador que procura apará-las. Mas existe também um outro lado, que é a estética, o equilíbrio, presente nas minhas imagens. Nem sempre o lado social pode se juntar ao estético. Eu sofro por isso. Quando consigo juntar as duas coisas me sinto aliviada.” (ANDUJAR, 2000)[1]

Claudia foi morar na Hungria e, posteriormente, emigrou para os Estados Unidos onde trabalhou como intérprete da ONU e começou a pintar. Em 1955,  veio ao Brasil visitar sua mãe e decidiu permanecer aqui; foi quando iniciou sua carreira como fotógrafa. Claudia diz que antes de vir para cá jamais tinha pensado em fotografar. Entretanto ao se deparar com a barreira do idioma, sem falar português, ela percebeu o poder da imagem como linguagem universal e encontrou nessa arte um meio de comunicação com o outro.

Em 1958, por indicação do antropólogo Darcy Ribeiro, foi fotografar os índios Carajá, na Ilha do Bananal, localizada no rio Araguaia, e fez uma reportagem sobre o assunto. Este material foi apresentado no Brasil para revistas como Cruzeiro, mas foi melhor aceito nos Estados Unidos. Lá, Edward Steichen, na época curador do MoMA, quis ficar com algumas imagens de Claudia e a revista Life publicou uma reportagem de oito páginas sobre o assunto.

Claudia começou a trabalhar como fotógrafa freelancer e colaborava com revistas internacionais como a Life, Look e Jubile. Essas publicações no exterior a projetaram no campo do fotojornalismo e abriram portas no Brasil, onde começou a “freelar” para as revistas Claudia, Setenta, 4 rodas e Realidade.

Em 1971, a Realidade fez um especial sobre a Amazônia. Claudia, ao encontrar pela primeira vez os Yanomami, em Matucará, Amazonas, se encantou pela população e resolveu desenvolver seu trabalho lá.

Nesse momento eu decidi largar o fotojornalismo, para tentar encontrar uma maneira de ficar morando numa aldeia, para conhecê-los profundamente. Depois eu consegui uma bolsa da Fundação Guggenheim que me permitiu ficar um ano por lá. Minha intenção era me dedicar a eles o tempo que fosse necessário, para poder me aprofundar na cultura, e então conseguir transmitir isso em imagens.” (ANDUJAR, 2000)[1]

Claudia Andujar permaneceu com os Yanomami até 1977, quando foi expulsa pelos militares. O retorno à São Paulo levaria a fotógrafa a traçar novos caminhos. Em 1978, lançou  o livro Amazônia, em parceria com George Love. Essa publicação tornou o trabalho de Claudia conhecido. Ele transmitia a essência dos Yanomami traduzida em imagens com uma estética  mágica e uma linguagem única.

Também foi em 1978 que Claudia fortaleceu seu ativismo político. A fotógrafa presenciou, em 1974, a tentativa do governo em abrir a Amazônia para indústria e viu o desastre que levou à morte centenas de índios. Em 1978, formou um grupo de estudos, que posteriormente se tornaria ONG CCPY [Comissão pela Criação do Parque Yanomami]. O principal objetivo era conseguir a demarcação do território deles que viria a acontecer somente em 1992.

Nos anos que se seguiram Claudia fotografou muito pouco, buscando organizar seu arquivo e construir séries a partir dele. Nos anos 2000 reduziu ainda mais suas atividades e passou a buscar formas de preservar seu material e torná-lo acessível também para futuras gerações do povo Yanomami.

Recentemente, em novembro de 2015, o Instituto Inhotim, em Minas Gerais, inaugurou uma galeria permanente dedicada ao trabalho de Claudia Andujar. Lá constam mais de 400 obras da autora, incluindo séries inéditas, documentário e livros da artista.

Família caiçara, 1963

Família caiçara, 1963

Família mineira, 1964

Família mineira, 1964

Família mineira, 1964

Família mineira, 1964

Reportagem sobre Zé Arigó feita para a revista Realidade, Congonhas do Campo, MG, 1967

Reportagem sobre Zé Arigó feita para a revista Realidade, 1967

Reportagem sobre psicodrama feita para a revista Realidade, 1969

Reportagem sobre psicodrama feita para a revista Realidade, 1969

 A Sônia, 1971

A Sônia, 1971

Sem título, 1971

Sem título, 1971

Metrópole, 1974

Metrópole, 1974

Yanomami Amazonas, 1974

Yanomami Amazonas, 1974

Yanomami

Yanomami

Yanomami

Yanomami

Yanomami

Yanomami

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Marcado-Series, 1981-1983

Marcado-Series, 1981-1983

LIVROS PUBLICADOS

A week in Bico´s World: Brazil . NY/Londres: Crowell-Collier Press/Collier-Macmillian, 1970

The Amazon. Amsterdã: Time-Life Books International, 1973

Amazônia [com George Love]. São Paulo: Práxis, 1978

Yanomami em frente ao eterno. São Paulo: Práxis, 1978

Mitopoemas Yãnomam. São Paulo: Olivettti do Brasil, 1979

Missa da terra sem Males. Rio de Janeiro: Tempo/Presença/Centro Ecumênico de Documentação, 1980

Yanomami: A Casa, a Floresta, o Invisível. São Paulo: DBA, 1998

A Vulnerabilidade do Ser. São Paulo: Cosac Naify/Pinacoteca do Estado, 2005

Yanomami, la danse des images. Paris: Marval, 2007

Marcados. São Paulo: Cosac Naify, 2009

REFERÊNCIAS

[1] PERSICHETTI, Simonetta. Imagens da fotografia brasileira 2. São Paulo: Estação Liberdade: Senac, 2000

[2] POVOS INDÍGENAS

ESCRITÓRIO DE ARTE

GALERIA VERMELHO

IMS

ITAÚ CULTURAL

MAUAD, Ana Maria. Imagens possíveis – Fotografia e memória em Claudia Andujar. Rio de Janeiro: Revista do Programa de Pós-graduação da escola de comunicação da UFRJ.

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