CARRIE MAE WEEMS

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Carrie Mae Weems, “Kitchen Table series”

      A artista norte-americana Carrie Mae Weems (1953) possui uma trajetória vinculada diretamente à investigação sobre gênero, racismo, classe, identidade cultural, relações familiares e outras questões políticas. Por mais de 30 anos ela tem trabalhado com fotografia, além de produzir obras com texto, áudio e vídeo.

“Apesar da variedade de minhas explorações, ao longo de tudo isso tenho afirmado de que a minha responsabilidade como artista é trabalhar, ‘to sing for my supper’, fazer arte, bela e poderosa, que adiciona e revela; para embelezar a confusão de um mundo confuso, para curar os doentes e alimentar os desamparados; para gritar bravamente nos telhados e atormentar as portas entrincheiradas e expressar as especificidades do nosso momento histórico.”

      Weems viveu em Portland com seus pais até os 16 anos, quando nasceu sua única filha, Faith. No mesmo ano, mudou-se para São Francisco para estudar dança moderna e, posteriormente, tornou-se mestre pela Universidade da Califórnia. Desde cedo foi ativa politicamente e sua primeira câmera fotográfica era utilizada para tal propósito. Apenas quando mudou-se para Nova Iorque foi que começou a aprofundar-se na fotografia artística, unindo-se a uma comunidade de fotógrafos afro-americanos, dentre os quais também fazia parte a artista Coreen Simpson.

      Aos 30 anos lançou sua primeira grande série, “Family Pictures and Stories”, utilizando fotos e textos. A artista aproveitou sua história familiar para explorar a condição humana das famílias negras nos Estados Unidos da época. Suas obras seguintes seguiram na mesma temática documental, agregando camadas e complexidade ao projeto inicial. “Ain’t Jokin'”, “Colored People” e “Kitchen Table series”, por exemplo, tratam de temas recorrentes na vida da fotógrafa, como o racismo internalizado, a identidade cultural e as questões de gênero.

      Considerada uma das artistas contemporâneas mais influentes atualmente, Weems sempre mostrou-se descontente e preocupada com a falta de protagonismo dos negros (especialmente das mulheres) nos canais populares de comunicação e, por isso, buscou representá-los em seu trabalho. No começo dos anos 1990 começou a aprofundar-se sobre a Diáspora Africana e também a investigar fotografias históricas. Em 1995 realizou uma série comissionada para o Getty Museum com apropriação de imagens de escravos do século XIX, sobre as quais acrescentou filtros coloridos e texto. No projeto chamado “From Here I Saw What Happened and I Cried”, segundo Weems, a escrita contribui para ampliar o significado das fotografias no trabalho, e o divide em quatro grupos que atribuem sentido à narrativa: “A Negroid Type”, “You Became a Scientific Profile”, “An Anthropological Debate” e “A Photographic Subject“. A partir de retratos objetificantes – originalmente as fotografias foram produzidas com a intenção de comprovar visualmente a inferioridade racial dos africanos -, a artista dá voz e visibilidade aos afro-americanos representados, ressignificando o sentido dessas fotografias e apontando a história de opressão na qual essas pessoas viveram.

      Ao longo de sua carreira, Weems recebeu diversos prêmios e, a partir de 2012, uma exposição retrospectiva, “Carrie Mae Weems: Three Decades of Photography and Video“, circulou por grandes museus dos Estados Unidos. Em 2016, recebeu o prêmio Distinção Feminista, do College Art Association, e o Prêmio Artista Nacional, do Anderson Ranch Arts Center.

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“Kitchen Table series”

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“Kitchen Table series”

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“Kitchen Table series”

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“From Here I Saw What Happened and I Cried”

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“From Here I Saw What Happened and I Cried”

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“From Here I Saw What Happened and I Cried”

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“From Here I Saw What Happened and I Cried”

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“Ain’t Jokin'”

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“Ain’t Jokin'”

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“Ain’t Jokin'”

 

LIVROS:

  • Carrie Mae Weems: Three Decades of Photography and Video, edited by Kathryn E. Delmez, Nashville, TN: Frist Center for the Visual Arts; New Haven, CT: in association with Yale University Press, 2012.
  • Carrie Mae Weems, Carrie Mae Weems: the Louisiana Project, New Orleans, LA: Newcomb Art Gallery, Tulane University, 2004.
  • Vivan Patterson, Carrie Mae Weems: the Hampton Project, with essays by Frederick Rudolph, Constance W. Glenn, Deborah Willis-Kennedy, Jeanne Zeidler; interview by Denise Ramzy and Katherine Fogg, New York: Aperture; Williamstown, MA: Williams College Museum of Art, 2000.
  • bell hooks, “Carrie Mae Weems: Diasporic Landscapes of Longing”, in Catherine de Zegher (ed.), Inside the Visible, MIT Press, 1996.
  • Brian Wallis, “Black Bodies, White Science: The Slave Daguerreotypes of Louis Agassiz,” The Journal of Blacks in Higher Education, (Summer, No. 12, 1996), 102-106.
  • Nueva Luz photographic journal, Volume 2#4 (En Foco Inc, Bronx: 1989).

 

REFERÊNCIAS:

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