#mulheresquefotografam // Mayra Silva

Meu nome é Mayra Silva, eu tenho 27 anos, moro em Porto Alegre, sou formada em Fotografia na Ulbra desde 2015 e trabalho na Unisinos no Laboratório de Fotografia em Porto Alegre. Eu trabalho com fotografia na Unisinos, prestando assistência aos professores, montando as aulas e ajudando os alunos também, além do meu trabalho separado.

Nítida: E qual és o teu trabalho separado?

Mayra: Na Ulbra a gente teve uma metodologia bem mercado. Isso é uma coisa que me incomodou muito durante algum tempo e do ano passado pra cá eu fiz um curso na Galeria Mascate com o Tiago Coelho e eu trabalho também com ele na Unisinos, então eu sinto que é uma busca de me encontrar nessa parte de arte e criar uma identidade minha. É uma coisa que eu tô buscando bastante. Eu tenho meu trabalho mais comercial e tal, mas a parte de arte tem me atraído bastante e é um meio que eu gostaria de entrar.

N como tu começaste a fotografar e por que tu começaste a fotografar?

M: Eu sempre tive muita afinidade com arte, seja com música , cinema e etc. Eu cheguei a prestar vestibular pra artes na UFRGS, fiz um semestre, mas tive que trancar em função de trabalho e no fim eu consegui uma bolsa na Ulbra e fiz esse curso mais tecnológico . O cinema também é uma coisa que me atrai bastante, então eu achei que seria uma forma de me aproximar mais da área e registrar momentos. Eu sou uma pessoa um pouco nostálgica, então eu acho que registrar aqueles momentos, sejam pessoas ou a cidade, seriam formas de poder me expressar e ter aquele registro para talvez no futuro poder me ver naquelas imagens.

N: E tu percebes discriminação de gênero e machismo no meio da fotografia?

M: Eu acho que em todos os âmbitos isso acontece. Felizmente, as coisas melhoraram um pouco de uns tempos pra cá, mas em qualquer roda de conversa que tu vai tu sempre não é muito ouvida.  Às vezes tu vai te expressar e não é levada muito em consideração. Tenho alguns amigos que também são dessa área, que a gente tem um diálogo bacana, mas eu sinto que é um meio muito fechado e eu sou uma pessoa muito tímida. Até o fato de vir aqui hoje é me expor um pouquinho e eu quero me inserir nisso, então eu preciso me expor. Tem também a questão individual que toda mulher carrega, que é a questão de opressão própria, de toda a vida e a questão do externo, de como tu é inserida nos lugares e tal, mas felizmente eu acho que isso aqui, a ação de vocês, é uma forma de a gente poder se sentir segura.

N: Ah, que bom que tu vieste.

M: É.

N: E tu te consideras feminista?

M: Com certeza

N: E o que tu entendes por feminismo?

M: Feminismo é uma forma de a gente poder se informar, poder trocar diálogos, poder ajudar quem tá próximo. É uma busca que sempre tem que estar em constante evolução. Eu sempre penso muito no individual também, pra gente poder partir pro coletivo.

O feminismo tem me ajudado a reconhecer coisas que não foram tão boas pra mim e a partir disso também poder me impor nas relações, situações que eu vejo que não são certas. Ontem eu também vim aqui na palestra sobre o aborto e foi muito bom. Gosto muito de ouvir histórias. Claro, eu sou branca, trabalho, sempre trabalhei, não tive pais ricos, mas reconheço que tenho certos privilégios, e eu acho que a gente tem um certo dever de pelo menos nos ajudar.

N: Tu comentaste que te consideras feminista. Tu colocas isso no teu  trabalho fotográfico de alguma maneira?

M: Tenho tentado. Nessa minha busca de identidade eu tenho tentado. Ainda talvez não tenha conseguido, mas é uma coisa que tenho trabalhado.

N: Tu podes falar um pouco mais sobre isso?

M: Eu tenho registrado mais coisas minhas, do meu cotidiano. Eu moro sozinha e isso às vezes é um pouco doído. E a mulher, eu às vezes penso assim, de que a mulher tem que carregar tudo sozinha, e na forma que eu tenho tentado registrar é uma forma de resgatar um pouco da minha força. Eu existo, eu sou um indivíduo que posso caminhar pelas minhas próprias pernas e, a partir disso, poder fazer mais pelo externo. Mas por enquanto eu tenho feito experimentos mais meus, autorretratos. Mas documentar pessoas também é uma coisa que me interessa, porém ainda não tive a oportunidade.

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Contato: @ssmayra 

@mayrasfoto 


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