#mulheresquefotografam // Bruna Marchioro

Apresentação:

Eu sou a Bruna Marchioro, eu tenho 32 anos, eu moro aqui em Porto.

Nítida: Como começaste teu interesse pela fotografia? 

Bruna: A minha família inteira trabalha com farmácia. Eu comecei a fazer faculdade de farmácia e eu tava odiando todos meus colegas, professores, matérias, tudo. E nesse meio tempo era na época que surgiu aquela maquininha digital da Sony, então eu comecei a brincar com aquilo e vi que eu tava gostando. Fui atrás de alguns cursos e vi que era isso mesmo que eu gostava de fazer. E fui meio caruda no início. Acho que depois a gente acrescenta os medos na gente e não fica mais tão caruda e no início eu fui mais… Então logo no início eu já saí fotografando gente na praça, querendo fazer exposição… E gostei bastante. No início eu achei que eu conseguiria não fazer faculdade nenhuma, só pegar livro e ler. Pensei “se eu quiser eu vivo sem faculdade.” Mas eu não ia atrás dos livros pra ler, precisa ir atrás. Então depois eu procurei fazer faculdade de publicidade, que foi bacana, só que meio que me limitou pra fotografia mais comercial. Então eu trabalho com ensaios pessoais. Trabalhei já com fotografia publicitária e é uma coisa que apesar de eu botar o meu olhar nas fotos, eu vejo que é meio comercial, sabe. E até eu fiz alguns cursos aqui, estou buscando procurar como fazer projetos e coisas mais artísticas só agora. E eu vejo que tem muita gente que trabalha só nisso, e tem essa facilidade de criar os textos e ideias, e eu fico vagando ainda meio perdida, sabe. 

N: Mas que bom que é uma coisa que tu gostas…

B: Na verdade eu acho que todo mundo assim que trabalha com fotografia e arte meio que respira isso o tempo inteiro. No teu tempo livre tu tá olhando no teu celular o que tem de bonito. E às vezes tu não percebe que tu tá trabalhando enquanto faz essas pesquisas. 

N: E o que mais tu fotografas hoje em dia?

B: Eu fotografo mais ensaios sensuais hoje em dia. E é legal que agora, eu já trabalho com foto há uns 12 anos, eu tô realmente me achando. Eu trabalho com ensaios pessoais há bastante tempo, mas sempre fazendo foto pra empresário, fazendo foto pra criança. E agora eu tô me achando. Já faz uns 3 anos que eu tô fazendo praticamente só isso. E tá bem bacana.

N: Nesses ensaios que tu faz, tu já passaste por alguma situação de machismo e discriminação por ser mulher?

B: Acho que quando eu era assistente de fotógrafos mais, porque eu sou muito assim de fazer coisas, fazer reforma na minha casa, pintar parede, carregar coisas, então eu nunca tive problema de pegar um monte de caixa e carregar, mas sempre vinha gente querendo ajudar. E eu pensava “não, se tu vem me ajudar eu vou perder meu emprego, meu emprego é carregar esses negócios aqui”. Então eu acabava pensando que talvez se fosse um cara que fizesse esse trabalho ia ser melhor, e não é, sabe. Talvez alguém mais forte, mesmo se fosse mulher, talvez fizesse melhor aquilo. Mas eu acho que era mais nessa situação. Eu não faço muito catálogo de moda, mas nos que eu fiz e eu chamei assistente homem, tratavam ele com um respeito maior do que com a fotógrafa, eu, que estava ali, sabe. Então às vezes perguntavam as coisas direto pra ele em vez de perguntar pra mim, mas foram poucas vezes. Acho que até na verdade muita gente me procura por eu ser mulher. 

N: Nos ensaios sensuais tu notas essa procura?

B: É. E às vezes eu faço masculino também, às vezes rola umas piadinhas e tal, mas meio que eles vem sabendo que é um trabalho, então é mais piadinha, nunca passou desse ponto.

N: O que tu entendes por feminismo? Tu te consideras feminista?

B: Sim. E na verdade eu acho que todas as mulheres hoje são e elas só não percebem né, porque tu poder ter essa opinião “eu sou ou não sou” na verdade tu já tá nesse período de conseguir decidir se tu quer ficar em casa cuidando dos filhos ou quer sair trabalhar. É uma decisão que já é de agora, já é um lado feminista, então sim. Na verdade esse movimento todo feminista me ajudou muito. Em muitas coisas eu ainda tava numa visão machista da família, de crescer no meio. Até assim coisas de tipo, às vezes a gente critica outras meninas e agora que eu percebo que é uma coisa que a sociedade meio que força. Eu seguia fotógrafos homens, achava super legal, e as meninas eu não seguia, não ia ver. E até hoje o público maior eu acho, de escolar, de faculdade, são mulheres. E cadê todo esse povo aí? Então era assim, tipo, eu ficava com um menino e pensava “todas aquelas ex dele, eu sou melhor” em vez de defender as coitadas das meninas, sabe (risos). Então são essas coisinhas que a gente foi crescendo e pensando e que na verdade agora que se espalhou mais essa visão feminista ou pelo menos eu cheguei a ler mais, e ver mais coisas, que eu me liguei de certas coisas. E até há alguns anos atrás me perguntaram isso, se machismo me afetava, e eu “não, não me afeta nada, tô bem independente, tô  de boa”. Mas eu não me ligava que o meu medo de caminhar na rua sozinha era isso também. Então tinha várias coisas que eu não me ligava, e eu precisei ir atrás e ler. Então acho que muita coisa do pessoal que fala que não é feminista é porque realmente é uma ignorância momentânea, que não foi atrás, não entende o que é.

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Contato:

@brunamarchioro

brunamarchioro.com.br 


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