Exposição Nítida – qual o nosso lugar agora, se não é o mesmo de antes?

A imagem fotográfica pode tornar visível o invisível. E vice-versa.
Qual é o nosso lugar agora, se não é o mesmo de antes?
A questão colocada pelo coletivo Nítida explora os limites dessa dualidade visível-invisível em cada um dos trabalhos apresentados, de forma absolutamente única. E pungente.
Quem vê? Quem não é visto?
O quê é visto? O que não é?
As respostas estão aqui expostas para aqueles dispostos a ver.
A invisibilidade é um lugar extremamente familiar a todas as mulheres.
Esse lugar nos chega e se torna familiar e cotidiano de várias formas.
Na visibilidade de um corpo feminino irreal, idealizado, erotizado, e que apaga o corpo feminino real com um bisturi.
Na invisibilidade do desejo. O corpo feminino deve ser desejado, mas nunca desejar. Em especial um outro corpo feminino. Não de maneira verdadeira. Somente como entretenimento.
Na visibilidade desejada vermelha e provocante. Feminilidade estampada nos lábios. Vermelha aceita e desejada, enquanto não se mostre fértil. Enquanto se mostre dócil. Enquanto não se mostre entranha.
Na invisibilidade que buscamos ao caminhar sozinhas por espaços ermos. Essa que nos dá a falsa sensação de estarmos mais seguras. A falsa sensação de que invisíveis podemos existir e agir. Mas que na verdade nos transforma em vestígios, em fantasmas, em espaços vazios. Em ausência.
Invisíveis são as mulheres que ousam olhar. A si mesmas. Aos outros. O mundo. Olhar é um ato de poder. Um que não nos pertence. Às que ousam deixar de ser objeto e passar à ação, resta a invisibilidade do não reconhecimento, da minoria, do não acesso ao espaço de criar imagens e recriar o mundo através delas.
Ao dar visibilidade ao mundo feminino a invisibilidade imposta a esse mundo é o que se questiona aqui. Ao pensar o lugar que não ocupamos conseguimos entender qual é o lugar que queremos ocupar. E de que forma.
Nítida com sua proposta nos mostra que mesmo que ainda não saibamos as respostas, que é juntas que vamos encontrá-las.

Texto da Raquel Moliterno

Fotos: Charlene Cabral


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