SALLY MANN

Sally Mann Credit Kim Rushing

Sally Mann by Kim Rushing

      Sally Mann (1951) é uma fotógrafa norte-americana, possui vários prêmios de fotografia e também vários livros publicados. Ela utiliza câmera de grande formato e processos antigos em seus trabalhos mais recentes. O trabalho pelo qual ficou mais conhecida, Immediate Family, está fortemente relacionado com sua fala:

Uma das coisas que a minha carreira como artista poderia dizer a um jovem artista é que as coisas que estão perto de você são as coisas que você pode fotografar melhor. E a menos que você fotografe o que você ama, você não fará boa arte. (MANN, 2008)[1]

          São fotografias de sua família, mais precisamente de suas duas filhas e seu filho, registrados de forma muito íntima e direta. Essa série foi alvo de polêmica quando lançada no início dos anos 90, devido ao fato de as crianças estarem nuas em algumas fotos de forma crua e até sensual.

            Sally possui duas séries em que fotografa seu marido Larry Mann de forma vulnerável e entregue, um método não muito comum de se retratar homens. Na série Proud Flesh, Sally fotografa o corpo de Larry após a descoberta de que ele possui uma doença chamada distrofia muscular, que faz com que seus músculos definhem com o passar tempo, principalmente os da sua perna direita e do seu braço esquerdo.

            Existe outra série de fotografias de Larry que Sally fez e faz durante os anos em que estão juntos (desde que ela tinha 18 anos), chamada Marital Trust, que ainda não foi exibida ou publicada. É uma série de fotografias que revela a intimidade de Larry como companheiro, pai e amante, um retrato do casamento dos dois. Podemos ver um pouco da construção desse trabalho no filme What Remains: The life and work of Sally Mann, em que há uma cena que registra o processo de tomada de uma das fotografias. Nela, a fotógrafa age como uma diretora e constrói a cena que deseja fotografar, há uma fabricação de um momento especificamente para as lentes da câmera, ou seja, não é um “instante decisivo” em que a intimidade de Larry foi roubada. Para que o trabalho de Sally aconteça, não há como roubar momentos, é necessário construí-los, já que ela utiliza uma câmera de grande formato, em que a captação da imagem precisa de segundos de exposição para acontecer. Sally diz que ainda não exibiu essas fotografias porque Larry trabalha como advogado da cidade e ela não gostaria de constrangê-lo. Esse ato de consideração por parte da artista é só mais uma prova de que é necessária uma desconstrução do masculino como centro de poder, como gênero privado de vulnerabilidade. Sally é consciente de que o trabalho que faz ao ser uma artista mulher usando um modelo masculino ainda é algo que choca, como se pode perceber em sua fala:

Eu sou uma mulher que olha. Dentro de narrativas tradicionais, as mulheres que olham, especialmente as mulheres que olham com firmeza para homens, foram punidas. Tome a pobre Psique, punida por todos os tempos por ousar levantar a lanterna para finalmente ver seu amante. Eu posso pensar em inúmeros homens, de Bonnard a Callahan, que fotografaram suas amantes e cônjuges, mas estou tendo dificuldades para encontrar exemplos paralelos entre as minhas irmãs fotógrafas. O ato de olhar um homem de maneira avaliativa, fazendo contato visual na rua, pedindo para fotografá-lo, estudando o seu corpo, sempre foi um empreendimento perigoso para uma mulher, no entanto, para um homem, estes atos são comuns, até mesmo esperados.[2]

            Ela também se declara feminista devido ao seu modo de trabalhar retratando seu marido:

“- Você escreveu que fotografar seu marido nu a coloca “no grupo escassamente povoado de mulheres que olharam com firmeza para os homens.” Você vê isso como um ato feminista?

– Sim! Eu não sou uma feminista ardente, bem, talvez eu seja uma feminista ardente. Eu apenas reviro meus olhos para a maneira como as mulheres são constantemente usadas e como os homens são sensíveis sobre fotografias de si mesmos. Eles não vão permitir isso.

– Por que você acha que isso acontece?

– Porque eles estiveram no controle por milênios. Eles provavelmente veem isso como um sinal de fraqueza, de vulnerabilidade. Muito poucos homens têm a confiança para parecer vulnerável.”[3]

       Essas últimas declarações foram retiradas de uma entrevista em que Sally fala sobre o lançamento de seu último livro, lançado em 2015, em que ela escreve sua autobiografia. O livro se chama Hold Still: A memoir with photographs.


[1] “One of the things that my career as an artist might say to young artist is the things that are close to you are the things that you can photograph the best. And unless you photograph what you love, you are not, you know, make good art.” Retirada do filme What Remains – The Life and Work of Sally Mann.

[2] “I am a woman who looks. Within traditional narratives, women who look, especially women who look unflinchingly at men, have been punished. Take poor Psyche, punished for all time for daring to lift the lantern to finally see her lover. I can think of numberless males, from Bonnard to Callahan, who have photographed their lovers and spouses, but I am having trouble finding parallel examples among my sister photographers. The act of looking appraisingly at a man, making eye contact on the street, asking to photograph him, studying his body, has always been a brazen venture for a woman, though, for a man, these acts are commonplace, even expected.” Em: http://jmcolberg.com/weblog/2009/08/sally_mann_proud_flesh/

[3] “- You write that photographing your husband naked put you in “the thinly populated group of women who have looked unflinchingly at men.” Do you see this as a feminist act?

– Yeah, I do! I’m not an ardent feminist—well, maybe I am an ardent feminist. I just roll my eyes at the way women are constantly used and how sensitive men are about photographs of themselves. They won’t allow it.

Why do you think that is?

– Because they’ve been in control for millennia. They probably see it as a sign of weakness, of vulnerability. Very few males have the confidence to appear vulnerable.” Em: http://www.washingtonian.com/blogs/capitalcomment/qa/sally-mann-men-see-nudity-as-a-sign-of-weakness.php


 

Three Graces, 1994

Fotos da série Immeadiate Family (1984 – 1991)tumblr_nqcbeaI4JZ1utjy8fo9_1280 tumblr_nqcbeaI4JZ1utjy8fo3_1280 tumblr_nqcbeaI4JZ1utjy8fo2_1280 tumblr_nqcbeaI4JZ1utjy8fo1_1280 The Last Time Emmett Modeled Nude, 1987 sally-mann-the-good-father-1990

Venus After School, 1992 from the Immediate Family series ©Sally Mann Courtesy Edwynn Houk Gallery, New York

Immediate Family 1984 1991 (10) Immediate Family 1984 1991 (9) Immediate Family 1984 1991 (7) Immediate Family 1984 1991 (6) Immediate Family 1984 1991 (4) Immediate Family 1984 1991 (3) Immediate Family 1984 1991 (2) Immediate Family 1984 1991 (1) at warm springs 1991


Fotos da série Proud Flesh (2003 – 2009)

Proud Flesh 2003 2009 (1) Proud Flesh 2003 2009 (2) Proud Flesh 2003 2009 (3) Proud Flesh 2003 2009 (4) Proud Flesh 2003 2009 (5) Proud Flesh 2003 2009 (6)

Frames do filme What Remains em que aparecem imagens do trabalho Marital Trust

Marital trust (1) Marital trust (3)

Marital trust (4) Marital trust (5)

LIVROS E FILMES SOBRE SALLY MANN

Livros impressos:

Hold Still (Little, Brown and Company, 2015)
Southern Landscape (21st Editions, 2013)
The Flesh and The Spirit
(Aperture, 2010)
Proud Flesh (Aperture & Gagosian, 2009)
Sally Mann (Faces) (Gagosian, 2006)
Sally Mann: Photographs and Poetry
(21st Editions, 2005)
Deep South
(Bulfinch, 2005)
What Remains
(Bulfinch, 2003)
Still Time
(Aperture, 1994)
Immediate Family
(Aperture, 1992)
At Twelve
(Aperture, 1988)

Filmes:

What Remains (Stick Figure Productions, 2005)
Art 21
(PBS, 2003)
Giving Up the Ghost (EGG: The Arts Show, 2002)
Blood Ties
(Stick Figure Productions, 1992)

REFERÊNCIAS

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